• Marco PauloMarco Paulo

    ‘ O cancro é um problema de saúde que pode afectar qualquer pessoa. Não escolhe a idade nem o sexo. Não tem um momento certo para acontecer na vida de qualquer um de nós.
    A mim aconteceu-me há 22 anos, não foi fácil, foi de um dia para o outro. Não tinha sentido nenhum sintoma mas nos exames foi detectado algo estranho. Fiz duas operações e vários sessões de quimioterapia, sempre acompanhado por uma equipa médica no Hospital da Cuf, na Infante Santo, em Lisboa.
    Felizmente com esta equipa, com o apoio da família mais próxima, amigos e fans, graças a Deus até hoje faço uma vida normal.
    Nós que passamos por esta situação sofremos na carne e nunca sabemos o dia de amanhã. Mas todos os que estão próximos de nós sofrem no coração.
    A todos que estão doentes desejo do fundo do coração as rápidas melhoras e coragem porque amanhã será um dia melhor.’

  • Isadora LumIsadora Lum

    Já convivo com o cancro de mama desde os meus 15 anos de idade. Primeiro a minha mãe, que infelizmente não ganhou a luta, depois a minha tia e em 2017 eu. Com este histórico pensei que controlava minha saúde com exames anuais, e que se algum dia o cancro batesse na minha porta eu apanhava-o em fase precoce e tudo seria mais fácil. Infelizmente isso não aconteceu, pelo contrário, veio grande e agressivo.
    Tinha um nódulo que era constantemente examinado com resultado sempre benigno até que no espaço de 3 meses cresceu e transformou-se em maligno. Imediatamente fiz cirurgia, 18 sessões de quimioterapia e 30 de radioterapia. Atualmente faço hormonoterapia. Fiquei com limitações de mobilidade no braço esquerdo por ter tido gânglios comprometidos. Sou fotografa e trabalho muito com os braços, mas tive que me adaptar com outro material mais leve e outras técnicas. Nunca desisti de trabalhar nem deixei que estas limitações me prejudicassem no meu dia a dia. Tenho um enorme respeito pela vida e quero continuar a viver! Porque a morte existe mesmo! E o pior é que muitos de nós só nos damos conta disso quando ela acontece ou quando temos um confronto com uma doença destas.
    ABRAÇAR, DANÇAR, AMAR, SENTIR, FALAR E VIVER CADA DIA COMO FOSSE O ÚLTIMO!  Não importa a quantidade de anos, mas sim a qualidade do tempo que estamos nesta passagem! O tempo é sagrado para fazermos e estarmos com quem queremos!

  • Gabriela FonsecaGabriela Fonseca

    O único pensamento que me surgiu foi “vou morrer”. Foi um diagnóstico que me foi dado sem estar a contar e eu não estava preparada para o confronto com um linfoma de burkitt, no estádio IV A, aos 25 anos.
    Seguiu-se a assimilação de informação, 4 ciclos de quimioterapia, subdividos em parte A e B no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, os olhares (in)discretos e o desejo de demonstrar que um diagnóstico, por mais temível que seja, não representa um fim.
    Hoje, 3 anos após o diagnóstico, sei que existe uma ligação entre aquilo que queremos, pelo que lutamos e que conquistamos, com aquilo que a vida nos oferece. Tenho a certeza da capacidade fantástica que o ser humano tem em se auto-regenerar; de alterar vereditos e de acreditar em si, na vida e no amanhã sem baixar os braços . Este foi o meu Dia de Mudança.

  • NuchaNucha

    Em Maio de 2010 tudo parecia normal até sentir algo diferente ao apalpar o meu peito!
    Era algo que não pertencia ali e até doía...
    Ao achar estranho resolvi marcar logo consulta e logo uns dias depois fiz uma mamografia e ecografia mamária!
    Ao analisarem, viram uma espécie de massinha que poderia não ser nada, mas no entanto pediram para fazer uma biópsia!
    E assim foi...
    Dias depois e por email recebia o resultado inesperado... carciroma!!! Palavra na altura desconhecida para mim mas imponente ao ponto de perceber que era o que nós chamamos de cancro!
    Claro que foi um choque...
    Mas ao olhar ao meu redor e ver o pânico da minha família, uma força inexplicável apoderou-se de mim!!!
    Não chorei!!!
    Pelo contrário... Ri talvez de nervos... Ainda hoje não sei bem..
    Fiz a minha tour toda em silêncio com a operação marcada para dia 6 de Setembro de 2010!
    Na véspera estava em Vale de Cavalos em espectáculo!
    Saí quase diretamente para o IPO de Lisboa para a operação!
    Única vez que chorei...
    Estava a entrar para a sala de operações e a minha filha agarra-se a mim a chorar..
    Não consegui me conter...
    Foi a única vez que ambas chorámos!!
    Um mês depois comecei os tratamentos...
    6 quimioterapias espaçadas de 3 em 3 semanas e 36 sessões de radioterapia!!
    Sobre a quimioterapia posso dizer que foi o mais marcante...
    Senti-me morrer para viver, mas sempre com aquela força que falei no início...
    Não sei até hoje de onde veio!!
    Ficar sem cabelo para a maioria das Mulheres é a tragédia... Somos todas diferentes...
    Para mim foi o mal menor e assumi a minha carequinha com muito orgulho...
    Usar um lenço para mim era como se tivesse um rótulo na testa a dizer:
    CANCRO!!!
    É claro que não somos todas iguais...
    Durante os tratamentos temos momentos de ausência e os familiares ficam mais preocupados que nós pois semtem -se impotentes para nos ajudar...
    Lembro-me que só queria estar quieta no meu canto pois sabia que iria passar aqueles atrozes efeitos secundários!!!
    Levei tudo com muito positivismo e acho que foi meio caminho andado para a minha cura!!!
    A radioterapia correu bem e perante o cenário do tratamento anterior, foi "simples"..
    Já lá vão 10 anos e faço todos os anos mamografias e ecografias e graças a Deus está tudo bem!!!
    O que sinto?
    Foi-me dada mais uma oportunidade para viver e quero agarrá-la com todas as minhas forças!
    Para quem era hipocondríaca, cheguei à conclusão que andei uma vida inteira à procura de uma doença...
    Então só colhi o que semiei ...
    Tive a Doença!!!

  • João da SilvaJoão da Silva

    Todos vamos adoecer um dia. Todos vamos morrer um dia. Nada é eterno, nada é certo, a vida é absolutamente imprevisível.
    Quanto tinha 31 anos, foi-me diagnosticado um cancro no testículo, sendo que havia já metástases noutras zonas do corpo. Alguma ignorância sobre o tema fez com que lidasse relativamente bem com a notícia, tendo sido posteriormente, com os efeitos secundários da quimioterapia, que comecei a ter a real noção do problema com que estava a lidar. Revoltei-me, vitimizei-me, dirigi as minhas frustrações de forma errada, enfim, senti-me absolutamente desesperado e sem futuro. Até que um dia, como que por magia, tudo mudou. Apercebi-me que era inútil e frustrante viver focado na morte ou na cura, duas coisas que não podia de forma alguma controlar, e passei a viver focado em mim, nas coisas boas que tinha à minha volta, sobretudo a minha família e os amigos, e naquilo que ainda podia fazer, naquilo que podia produzir, naquilo que me dava prazer, fosse olhar um pássaro no céu ou cheirar uma flor do jardim da minha mãe. E quando comecei a explorar esse território, tentando viver da forma como vivia antes de estar doente, a minha ansiedade diminuiu drasticamente, assim como o meu desespero e a minha frustração. Apesar da doença, voltei a ser feliz.
    A certa altura, a doença entrou em remissão e senti-me o super-homem. Tinha ultrapassado o cancro. Contudo, um ano mais tarde, a doença voltou. E voltou ainda pior. Tinha-se espalhado e afetava outros órgãos. Fui novamente submetido aos tratamentos de quimioterapia e a diversas cirurgias, tentando sempre fazer uma vida normal e feliz. Até que a doença entrou novamente em remissão. Todavia, desta vez já não me senti o super-homem. A segunda vez que tive cancro fez-me perceber que nada controlamos.
    Sete meses depois, a doença voltou, e voltou ainda pior do que da segunda vez. Repetiram-se todos os tratamentos de quimioterapia e fui ainda submetido a dois autotransplantes de medula óssea que, até à data, mais de dez anos volvidos, debelaram o cancro.
    Não seria nada do que sou hoje se não tivesse tido cancro. Não que tivesse gostado de o ter, de forma alguma, mas a verdade é que a doença me mudou, tendo-me conduzido ao estado de viver conscientemente, aproveitando cada segundo de vida, seja qual for a situação em que me encontro, enfermo ou com uma saúde de ferro. Perguntam-me muitas vezes se o otimismo é importante para superar a doença. Não faço a mínima ideia, mas tenho a certeza de que viver com uma perspetiva otimista em relação ao que estamos a viver pode ajudar-nos a aproveitar melhor cada momento da nossa vida. E o dia que estamos a viver é a única coisa que temos como certa. Ninguém sabe o que seguirá. Aceitar a nossa condição sem revolta, viver focados no que temos, é a mensagem que gostaria de passar com este testemunho, que termino com uma questão para reflexão: para onde vai o pequeno pedaço de vida que estamos a deixar escapar a cada momento que escolhemos estar tristes?

  • RebecaRebeca

    Claro que não é fácil passar por um cancro e passar pelo segundo então bem mais difícil é ... mas quero deixar aqui o meu testemunho, pois se conseguir ajudar 1 só pessoa já fico feliz.
    Aos 30 anos comecei por não conseguir engolir ou seja os alimentos ficavam presos na garganta e fui consultada por um otorrino respondeu que era stress do trabalho.
    Sem melhoras fui a outro médico ele sim pensou em fazer exames um deles ecografia à tiróide nesse mesmo dia foi me dito que tinha um tumor folicular que poderia ser maligno e teria de fazer cirurgia para remover. Assim  foi, fiz cirurgia e biópsia da qual veio cancro na tiróide “papilar variante folicular” e teria de fazer cirurgia novamente para remover o resto da tiróide dado que o tumor era maligno.
    Fiquei 6 meses sem falar e sem cantar... mesmo assim com este problema consegui superar e não foi necessário fazer iodo radioativo pois o cancro estava encapsulado e sem angioinvasão.
    Logo após este problema veio a depressão penso que bem mais grave do que o tumor, mas mais uma vez levantei a cabeça e com ajuda do psiquiatra e da medicação melhorei consideravelmente.
    8 anos depois achando que já tinha passado o pior da minha vida, apareceu um nódulo na mama esquerda. Num belo dia de férias toquei no peito sem querer e encontrei uma coisa estranha do tamanho de um botão... percebi logo que não fazia parte do meu corpo. Como devem imaginar as férias acabaram logo naquele dia e fui ter com o meu radiologista foi ele que me deu a notícia “temos um cancro de mama “ da qual mais uma vez terá de fazer cirurgia de imediato. 12 dias depois e dezenas de exames pelo meio, estava a ser operada à mama a um cancro bastante agressivo hormonal e Her2+ com proliferação de 80% mas mesmo dentro do mau ainda cá estou VIVA e já passaram quase 2 anos depois de ser submetida a 16 quimioterapias, 18 imunoterapias, 20 radioterapias e mais 10 anos de hormonoteria  terei de fazer.
    Por isso digo a todos, se eu consegui superar, qualquer um conseguirá com certeza... espero que não seja a nenhum de vocês que esteja a ler.
    Precisamos de ter força e fé no que quiserem, o que interessa é haver alguma coisa dentro de nós que nos ajude a encontrar uma luz verde ao fundo do túnel  para nos salvar, não esquecendo de fazer exames para detetar precocemente um eventual problema pois se for cedo mais probabilidade tem da cura, acreditar no seu médico ou se necessitar pedir uma segunda opinião e claro não esquecendo o apoio familiar pois é muito importante para o doente.

    Hoje em dia estou bem de saúde e a ser vigiada de 3 em 3 meses.

    Já voltei aos palcos e poder fazer o que mais amo CANTAR para o meu público

  • Marine AntunesMarine Antunes

    A minha história de sobrevivência não é diferente de tantas outras histórias mas talvez a forma como a conte possa ser considerada atípica. Ou de mau gosto. Depende da prespectiva: tinha 13 anos quando descobri que tinha um linforma não-hodgkin, de células B. Era atleta, saudável e mimada (não necessariamente por esta ordem) e nada faria prever que seria diagnosticada com um cancro já crescidinho de 11 centímetros, a viver no meu mediastino, a um milímetro do coracão (e achava a minha mãe que não tinha capacidade de alimentar sequer um peixe. Enganou-se). Depois de sabermos o que tinha, sintonizámo-nos para a única tarefa a realizar -  salvar a miúda – e isso foi conseguido graças à perícia médica, à própria sorte mas também ao humor que nunca larguei nem para ir ao WC (não fosse alguém entrar no quarto e roubar-mo).
    Não havia muito tempo a perder, por isso,  iniciei rapidamente a quimioterapia e, sem que me fosse dada oportunidade para me preparar para isso, o cabelo começou a cair. Lembro-me como se fosse hoje: fui ao cabeleireiro (estava a começar a tornar-se insuportável ter o cabelo constantamente a cair – às vezes pensava que a sopa era de nabiça mas não, estava mesmo a papar cabelo) e decidimos cortar o mal pela raíz, voilá! Carecada na menina. Lá está eu, com a força possível, a assimiliar todas aquelas informações, a ver o meu cabelo outrora comprido e espigado a despedir-se de mim, quando me apercebo de algo verdadeiramente chocante para o qual não estava preparada: "Caraças, tenho uma orelha MUITO maior do que a outra! E pronto. Uma desgraça nunca vem só – percebi que tinha cancro e que parecia o raio do Dumbo. Perfeito.
    Neste momento, percebi também que se me risse disto tudo, seria mais fácil viver a minha vida. Só tinha de saber olhar para a minha orelha deformada e achar-lhe graça, para a careca que reluzia ao sol e ver beleza nisso, para o meu internamento como a minha maior aprendizagem de vida. A minha felicidade só dependeria de mim e foi incrível chegar a essa conclusão.
    O humor foi a minha arma em todo o processo (concordei que o cancro me levasse as sobrancelhas, desde que deixasse comigo, a minha falta de filtro) mas foi fácil reparar que nem toda a gente faz o melhor por si. O humor não é bem-vindo em todas as casas e, da mesma forma que ainda existe tanto preconceito com esta doença (tenho vizinhos que teimam em chamar o cancro de coiso), também há quem faça má cara à alegria. Pensei que talvez pudesse partilhar esta forma de comunicar com os outros e em 2013, criei o Projeto Cancro com Humor. Comecei por partilhar a minha história em blogue, nas redes sociais e rapidamente optei também pela oralidade, apresentando as Palestras Cancro com Humor. Nestas palestras o humor está presente, não como um show ou um espectáculo de stand up comedy, mas como a minha história real, contada na primeira pessoa, sem tabus ou artificios. Acho que é importante ouvirmos outras histórias parecidas com as nossas para não nos sentirmos tão sozinhos no deserto. Lancei o meu primeiro livro; depois nasceu o segundo e o terceiro foi parido mais recentemente. Com isto, não só dei alguma utilidade prática ao cancro (tinha de me servir para alguma coisa), como acabei por conhecer pessoas extraordinárias que deram sentido a tudo. Que me ajudaram a transformar a dor em humor e, inevitalmente, em amor.
    A verdade, é que apesar deste caminho ser inspirador tem sido tudo menos fácil (ninguém disse que seria, certo?"). Perdi muitas pessoas, também eu fui cuidadora e em muitos momentos sinto que morri algumas vezes durante esta vida. Mas sabes que mais? voltei sempre a nascer (e com muito azar meu, sempre com a mesma orelha) e nunca, nunca desisti desta coisa viciante que é querer ser feliz. Mantive a minha sanidade, a fé e a alegria e continuei a comunicar com positividade. O Cancro com Humor cresceu. Na dor, com amor. E o humor outra vez, o meu salvador.
    Hoje, tenho 29 anos e tenho alimentado a mania de realizar os meus sonhos. O cancro ensinou-me muito, talvez tudo o que sei e até gosto de dizer que andei na "Cancer School"- parece coisa internacional e é mais chique assim. Acho que, no fundo, percebi que tudo, mesmo tudo, depende de nós. Não podemos escolher o que nos acontece mas podemos sempre decidir como é que vamos reagir a isso.

    Eu escolho o humor.

  • José FranciscoJosé Francisco

    Aos vinte e um anos, a nossa vida é um caminho sem fim, uma estrada seguida, ponteada de sonhos presentes e ladeada de venturas futuras, onde não existe a noção do tempo e a morte é uma abstração improvável.
    Foi nesta conjuntura de domínio do absoluto que numa curva apertada me cruzei com um linfoma de Hodgkin e penetrei no túnel escuro do medo, da incerteza, do sofrimento e da dor sem fim à vista. Cumpri os ciclos obrigatórios e aparentemente intermináveis da quimioterapia devastadora das veias e geradora de agonias que arrasavam o corpo e a mente. Entre o Hospital de Santa Maria em Lisboa e o Royal Marsden Hospital em Londres, experimentei a aventura de uma nova caminhada, à data sem esperança médica de retorno e por isso,marcante de uma nova conceção da linha da vida.
    Lembro-me de me fazer promessas, de gizar comportamentos, de garantir modos diferentes de saborear os dias e agradecer a dádiva da existência se conseguisse sobreviver à fatalidade .
    E então, com vinte e poucos anos, a minha vida já não era um caminho sem fim, mas um percurso limitado que eu pedia que durasse ao menos seis meses. E durou muitos seis meses, até que volvidos quarenta anos, me vi obrigado a fazer um novo circuito custoso, uma outra prova eliminatória, agora entre o Hospital Particular do Algarve e o Hospital Cuf - Infante Santo, por imposição de um meningioma que silenciosa e abusivamente, me ocupava parte da cavidade craniana .
    Extirpado o intruso, passadas as alucinações, retomada a mobilidade, reaprendida a escrita, regressada a memória, estabilizadas as emoções e fortalecido o aspeto cognitivo à custa de muito treino, superei.
    Regressei um homem novo, mais independente e capacitado do que antes e munido de um sentimento abrangente de gratidão que agora me confere um grande prazer de viver e de fruir o efémero .

  • Filipa GuimarãesFilipa Guimarães

    Sou a Filipa Guimarães aos 36 anos foi-me diagnosticado cancro de mama, algo que não estranhei sinceramente atendendo ao meu código genético familiar de alto risco, onde grande parte dos meus familiares directos tiveram cancro e infelizmente alguns deles não conseguiram vencer esta árdua batalha.
    A 14 de Fevereiro de 2015 recebi esta notícia que jamais esquecerei sim no dia dos namorados, no entanto não podia pensar em romantismos, sabia que o caminho era duro mas que ia vencer…
    Na consulta com o médico-cirurgião após contar o meu historial familiar confrontei o mesmo com esta questão – Dr. se eu fosse sua filha que fazia operava as duas ou só uma?
    O médico baixou a cabeça e respondeu- Filipa seria as duas! Tendo eu respondido então faça o seu trabalho porque tenho muito que fazer! A minha mãe e o meu marido estavam ao meu lado e ambos olharam para mim ao ver a minha frieza…eu sabia que ali não podia ceder tinha de ser objectiva porque o importante era viver!
    Nesta primeira consulta, o médico realizou logo os marcadores no peito e eu aproveitei a ocasião para brincar com ele tendo afirmado Dr. não quero nada de exageros sou uma mulher natural!
    Tanto no dia da realização da biopsia como no decorrer das consultas antes da cirurgia bilateral, perguntava sempre como seria o meu Surf depois da cirurgia, os médicos não podiam ser muito expansivos pois não sabiam como estava linfaticamente.
    O Vasco (meu marido) que também faz surf há mais de 30 anos cada vez que eu confrontava os médicos com a questão do surf engolia em seco e fazia um esforço para não chorar, pois ele tinha noção do que tudo isto implicava para mim.
    Ao adormecer na cirurgia pensei nas ondas tinha surfado nos Açores…deixei-me adormecer com as minhas memórias do meu amigo mar…
    Quando recebi os resultados patológicos do que me tinha sido removido na cirurgia, notei algum alívio no rosto do médico, como se tivesse realizado um salvamento em alto mar…pois não existiram surpresas de maior e linfaticamente estava limpa!
    Fiz 6 ciclos de quimioterapia, onde após o 4º ciclo o corpo começara a manifestar-se com mais dores, perante esta situação recorri à ozonoterapia que me ajudou imenso nos efeitos secundários!
    Terminei os tratamentos em finais de Julho de 2015, em Outubro desse mesmo ano já estava a trabalhar e já ia treinar as minhas artes marciais…além de fazer fisioterapia todos os dias!
    No Verão de 2015 ia até à Praia Grande nos finais de tarde dar um mergulho que bem que me sabia aquela água fria…sentia-me viva novamente…
    Estive um ano sem surfar e pensava…que saudades pois faço bodyboard desde os meus 14 anos, fiz competição e ainda hoje sei que apesar da minha figura delgada gosto de me atirar a ondas grandes…sinto isto como parte de mim e vida sem surf não é vida!
    No Verão de 2016, comecei a entrar novamente com a minha prancha, sentia algumas dores e fazia surfadas no máximo de uma hora pois as costas ainda estavam muito sensíveis, cada vez que sentia dores pensava antes surfar com dores do que não surfar!
    Em novembro de 2016, ainda apanhei outro susto tive de ser submetida a uma nova cirurgia para a remoção de um teratoma maduro entre o intestino e ovário…os médicos comigo andam sempre em cima do acontecimento e ainda bem que assim é!
    No decorrer do Inverno de 2017, além da prática de kempo comecei a nadar 1.500 metros todos os dias pois queria voltar a recuperar a minha plenitude física!
    Fui induzida à menopausa com 36 anos devido ao meu cancro ser hormonodependente e isto para uma jovem mulher que nem mãe tinha conseguido ser imaginem…tinha de fazer desporto porque não me podia deixar vencer por esta nova condição física!
    A partir do Verão de 2017 até à presente data faço o meu bodyboard sem dores, danço flamenco e estilo contemporâneo…até já vou a palco representar a minha academia Ai a Dança…sou uma mulher feliz.
    No bodyboard já apanho ondas e divirto-me como sempre...por vezes a fazer certas manobras até me esqueço do que já passei e lá vou fazer um rolo no ar!
    Uma vez que até há presente data não sou mãe, no período pré-tratamentos, congelei 5 óvulos …e pensava que só poderia ser mãe daqui a 5 anos e de repente está tudo prestes a mudar!
    Actualmente, estou inserida num ensaio clínico conjunto que conta com a colaboração de diversos peritos internacionais e com a Fundação Champalimaud. O nome deste ensaio clínico não podia ser mais acertado chama-se POSITIV tão apropriado depois de tudo o que passei!
    Além desta situação ainda faço parte de um protejo de investigação na vertente da genética com a equipa dos Laboratórios Germano de Sousa, através dos doutores José Pereira Leal e Joana Vaz.
    Gostos de ajudar na evolução da ciência por isso os médicos sabem que podem sempre contar com a minha colaboração, onde através do meu caso estamos a construir novas pontes para que no futuro outras mulheres possam beneficiar de tudo isto!
    Não vejo a hora de ter o meu bebé a surfar comigo…no entanto até lá só poderei afirmar que o nosso cérebro comanda tudo e quando acreditas claro que és CAPAZ!

    O ensinamento que o cancro me deu foi não penses no obstáculo, mas sempre no objectivo que é VIVER!

    GET FUN BECAUSE THE LIFE IS TOO SHORT GO FOR IT! ….

  • Micael MonteiroMicael Monteiro

    Comecei a ter fortes de cabeça, vómitos e decidi marcar uma consulta no médico de família. Dali fui para o hospital de Alcobaça e depois reencaminhado para o hospital de Leiria onde teria de efetuar uma tomografia computorizada (TAC).
    Quando fiz o TAC disseram-me que tinha uma massa cinzenta no cérebro de oito centímetros, do tamanho de um ovo. Era um tumor e teria de ir de urgência para Coimbra para ser operado. Três semanas depois, já no início de 2015, fiz a primeira operação para a remoção de uma parte do tumor. Foi uma cirurgia bastante complicada. Demorou 12 horas e corria risco de vida.
    Depois da operação fiquei paralisado do lado esquerdo do corpo. Os médicos disseram aos meus familiares que a operação tinha corrido muito bem e que estava tudo ok comigo, mas na verdade não estava. Não mexi metade do corpo durante mais de um ano. Ainda estive quatro meses numa cadeira de rodas. Estive em recuperação no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro — Rovisco Pais, na Tocha, Coimbra, de onde sai em 2016. Pelo meio realizei uma nova operação para retirar o resto do tumor e ainda sofri uma embolia pulmonar.
    A primeira operação não teve apenas sequelas físicas: fiquei com a memória de curto prazo afetada. Percebi que me repetia constantemente. Por exemplo, o meu irmão chegava e cumprimentava-o. Falava com ele, depois saía para ir à casa de banho e quando voltava cumprimentava-o novamente como se não tivesse falado com ele ainda.
    Foi muito complicado. Foram algumas noites a chorar, algumas noites em claro sem perceber o porquê de me ter acontecido tudo isto. Depois com a força dos meus familiares, da minha esposa, da minha filha, agarrei-me a isso tudo e lutei para tentar dar a volta.
    Mas o aceitar não foi fácil, não vou dizer que foi porque não foi. Foi bastante complicado perceber que a minha vida ia ser diferente a partir daquele momento, e ainda é.
    Não sei se a memória de curto prazo vai ficar afetada para sempre, mas tenho esperança na sua recuperação. Tendo em conta que já recuperei tanto, tenho a esperança de vir a recuperar cada vez mais.

  • Helena JordãoHelena Jordão

    Maio de 1999...perdi o chão! A notícia de que tinha diagnosticado um linfoma de Hodgkin grau IV na flor dos meus 17 anos fez-me questionar o porquê da vida...mas após uma conversa com a excelente profissional que me acompanhou durante todo o processo, recuperei a minha força e o meu foco total foi na recuperação, nesta batalha, era eu que ia sair vencedora! Seguiram-se os meses de Verão entre ciclos de quimioterapia e radioterapia nos Hospitais Garcia de Horta e Santa Maria...as recusas para ir à praia, o cabelo perdido a cada noite na almofada...mas tudo valeu, faz parte do processo...e hoje 20 anos depois...sou uma pessoa mais forte, mais orientada para a solução e menos para o problema. All in LIFE!

  • Alice VieiraAlice Vieira

    Sempre fui uma pessoa cuidadosa com a saúde, mamografias todos os anos, etc. Mas naquele dia o médico olhou para a minha mamografia com ar muito sério e pegou logo no telefone.  “Estou a ligar para o hospital porque tem de ser operada já.”  Marcou tudo, e depois explicou-me que a mamografia revelava que tudo estava muito mal, não podia esperar muitos dias. Combinámos tudo, e só no fim é que ele exclamou : “Ó diabo, e agora como é que vamos dar a notícia ao seu marido?”
    Pois.
    Sempre tive fama de aguentar tudo.
    Passada uma semana estava a ser operada.  Como nunca gostei de fazer espectáculo com as doenças, não disse a ninguém. Ou seja: disse em casa, claro, e no “Diário de Notícias” porque precisei de pedir baixa de um mês.
    Uma semana depois, tive alta—e logo nesse dia, antes de ir para casa, passei pelo jornal a ver se estava tudo a correr bem sem mim… E a baixa de um mês, reduzi-a logo para 15 dias.
    Radioterapia, quimioterapia, eu vomitava que nem me aguentava, e às vezes dizia para o meu marido “hoje não vou trabalhar”, mas ele dizia “vais e vais já” — e eu chegava ao jornal e passava-me tudo. Porque rapidamente aprendi que ficar em casa a pensar na doença é a pior coisa que se pode fazer.
    Depois de terminados os tratamentos, o médico chama-me e diz que o cancro estava muito espalhado, tinha sido feito o possível, mas aquilo era mesmo um caso muito complicado. Eu, que não sou de rodeios, perguntei logo” e quanto tempo de vida me dá?”.  Ele começou por dizer que era difícil responder a isso, que mais isto e mais aquilo, mas lá acabou por admitir: “dois a três anos…”
    “Vão ser os melhores anos da minha vida”, disse-lhe.
    Despedi-me do jornal, e nesses anos viajei, andei por toda a parte, fiz o que quis…até que os anos foram passando, dois, três…cinco…seis… achei que era mais que tempo de voltar ao trabalho –e já la vão 31 anos.
    Claro que deixou algumas sequelas : naquele tempo, apanhava-se a  rádio no peito todo, e com o andar dos tempos havia quem desenvolvesse aquilo a que se chama a” hiperfixação do rádio”…Foi o que me aconteceu : há cinco anos um tumor no esterno ,não operável, e que tem de ser vigiado.. Se às vezes cresce um pouco, faz-se mais radioterapia (agora é milimétrico o espaço que a apanha…) e tudo vai ao lugar.
    Por isso sou doente crónica do IPO… O que não me aflige.
    Tinha eu sido operada aí há uns oito ou nove anos, a Henriette de Almeida Lima, então presidente da Liga, pediu-.me para eu falar da minha experiência num congresso sobre o cancro. Foi a primeira vez que falei nisso em público… E não tiveram conta os amigos que me ligaram para perguntar: “ah, foste operada, estás em casa? Podemos ir ver-te?” E eu: “poder, podem, mas já fui operada há oito anos” …
    Na altura em que eu fui operada foram também operadas a Simone e a actriz Manuela Maria que, tal como eu, só muito tarde falaram nisso. E então vá de nos chamarem para todas as televisões. Nós ríamos e eu dizia “lá vão as cancerosas de serviço…”
    E lembro-me sempre de a Manuela Maria dizer: “o maior amigo do cancro é o medo”. Por medo, as pessoas não vão ao médico, por medo, as pessoas não assumem os primeiros sintomas, por medo as pessoas não fazem os exames necessários.  O medo é o pior de tudo.
    E outra coisa dizíamos as três quando nos chamávamos para esses programas: “nunca nos passou pela cabeça que íamos morrer”.

    Nunca, mesmo.

  • Marta MachadoMarta Machado

    Existe sempre uma lógica para tudo o que acontece no Universo!
    16 Maio 2010
    Acordei decidida a superar um medo terrível, um pavor inconsciente de ter que falar em público.
    Faltavam 48 horas para estar frente a frente com uma plateia de cerca de 300 pessoas, algumas com longos anos de experiência na área.
    Estava no mês de Maio! Sempre adorei o mês de Maio, os dias são maiores, celebra-se o dia da mãe, o aniversário do meu amor e do meu casamento, enfim… o mês de Maio é um mês desafiante!
    No final do dia, ali estava o meu amor à porta do meu trabalho… “o que estaria aquele rapaz ali a fazer?”
    Descarregou tudo o que estava dentro dele, tudo o que vinha a acumular no caminho.
    – Vem comigo! – Tens um Linfoma! – Vais ser internada! – Vamos falar com os teus pais!
    Todas as frases faziam eco na minha cabeça, o vento continuou a soprar mas as nuvens já não se moviam e uma certa vergonha e tristeza tomou conta do meu corpo!
    Tinha que escolher naquele momento, se queria enfrentar, não uma plateia com cerca de 300 pessoas, mas sim um linfoma com alguns centímetros e vencer o medo terrível, não de viver, mas de ir vivendo, um dia de cada vez, com todas as limitações.
    Agora sorrio de cada vez que falo em público! Não sou melhor oradora por ter vencido um cancro, mas o valor que atribuo às coisas é diferente e isso faz com que saiba exatamente a importância de cada momento.

    Curiosidades
    Lema de vida antes e depois do linfoma: “Vamos indo e vamos vendo”;
    Antes da doença era uma pessoa alegre. Durante a doença? Conferir em baixo 😉

    Mensagem
    Hoje, olho para a outra margem do rio e vejo-te, estás sorridente mas assustada. O rio parece ter uma corrente suave, mas ambas sabemos que não é bem assim. Tens que aguardar o momento certo para fazer a travessia. Estou do lado oposto do rio e garanto-te que vale a pena saber esperar. Estamos juntas!

  • Teresa BeicinhaTeresa Beicinha

    A minha história com o cancro. O meu nome é Teresa Beicinha, tenho 53 anos sou divorciada, tenho 3 filhos. Sou consultora de imagem, formadora, blogger, organizadora de eventos, coach motivacional. Em Agosto de 2017 foi-me diagnosticado cancro de mama invasivo tipo II. Comecei com uma dor no peito esquisita e forte, fui ás urgências 2x, os médicos diziam sempre que não apalpavam nada e que não era nada. Eu insisti e pedi uma carta para entregar no meu médico de família a dizer que era uma pessoa de risco porque tenho cancro de ambas as partes da família. Irmãos dos meus pais já morreram de vários tipos de cancro. Eu própria já tinha tido um cancro de pele antes deste numa perna mas fui só operada não precisei de fazer quimio nem radio. Acabei até por ter outro nas costas depois de fazer radio para este cancro de mama. Assim que fiz mamografia detetou-se logo uma série de tumores pequenos e na biópsia confirmou-se. Este processo foi complicado porque acabei por o passar sozinha porque não tinha marido nem namorado, tinha pais com 87 anos de idade que acabei por cuidar durante a minha quimio tiveram avc e aneurisma á minha frente em casa. A minha irmã foi operada â tiroide na mesma altura. Os meus sobrinhos tiveram que cuidar da mãe. Eu tive 2 filhos que me apoiaram como puderam. O mais novo ajudou a cuidar de mim e dos avós também. O do meio era militar na altura foi comigo fazer os pensos levou-me á operação a minha irmã foi-me buscar depois antes de ser operada. Mas não lhe deixavam dar-me o apoio necessário. O mais velho não fala comigo por questões familiares e financeiras. Nem mesmo com o cancro. Tive 3 amigas que foram comigo 1 á 1 consulta de oncologia e á 1 quimio. Outras 2 foram comigo a 2 quimio. De resto fiz tudo sozinha. Biópsia, consultas, exames, tratamentos de quimio, radio, imunoterapia. Nunca cruzei os braços e nunca perdi a minha fé que eu ia vencer e sobreviver. Tenho um filho bipolar com 19 anos de idade que vive comigo e também tenho cuidado dele. Descobrimos no ano passado durante o meu cancro. Através da minha psicóloga que o encaminhou para um psicólogo e um psiquiatra e fizeram exames afinal não era só uma depressão. Não é fácil, mas não é o fim do mundo. Eu sempre fui uma guerreira. Todos podemos pode vencer o cancro. Pensa positivo. Fala com Deus. Vai ver e ouvir o mar. É muito bom. E importante. Sinto-me bem e em paz, em frente ao mar. Música e dança também é muito bom porque limpam a tua alma. Eu sou muito ativa por isso nunca parei. Fui convidada para contar a minha história em diversos eventos e projetos. Organizar eventos para mulheres com cancro de mama dentro e fora do meu hospital. Criei um blog para partilhar a minha historia e ajudar outras mulheres. Blog de mulheres com cancro de mama no facebook. O que não te mata torna-te mais forte! Nunca te esqueças disso! Cuida-te!

  • Carla CatarinoCarla Catarino

    “ENTREI EM CHOQUE!
    Quando a médica me diz que a partir de agora teria de ter muita força, ser muito forte e estar bem acompanhada porque o que aí vinha não seria fácil...hospital?! IPO de Lisboa, sim porque outro para mim não faria sentido.
    Depois de há 2 anos atrás acompanhar o meu pai neste percurso Oncológico mas infortúniamente sem sucesso e há 2 meses atrás ser intervencionada com uma Histerectomia total para prevenir o BICHO e ainda estar em franca recuperação, descubro uma noite (enquanto mudava a roupa para dormir) um caroço bastante proeminente na mama esquerda. Na semana seguinte e após exames médicos, já estava no IPO a fazer as biópsias com o Dr. José Carlos Marques onde se confirmou o pior.

    Tratamento: Quimioterapia de imediato porque já tinha metásteses no braço então a urgência é reduzir e localizar o BICHO para que não se espalhe mais.
    Efeitos colaterais: todos!
    Imunidade: em baixo (glóbulos brancos), injeções na barriga após cada sessão de Quimioterapia para os levantar (muito mau).
    Resultado: um ÊXITO!...quase irradiado na totalidade.
    Próximo passo: Cirurgia...ainda me encontro em recuperação mas está a correr dentro da normalidade.
    Para rematar: Fisioterapia ao braço (foi feito um esvaziamento dos gânglios) e, Radioterapia (para não deixar vestígios).
    A minha batalha ainda não terminou até porque irei ser seguida através de consulta de Risco Familiar onde irei juntamente com meu irmão e filho, fazer exames de prevenção...

    E ATENÇÃO MULHERES em cada 10, 8 têm Cancro de mama (independente se têm conhecimento dele ou não), palavras emitidas por médica do IPO.”

    A luta continua!

  • MARIA JOSÉ PRISTAMARIA JOSÉ PRISTA

    Foi-me detetado o cancro do intestino (cólon descendente) através de uma análise às fezes em 10.7.2018 e confirmada com uma colonoscopia em 30 Julho.
    O médico que me fez a colonoscopia informou-me que teria de ser operada urgentemente.

    Perguntei-lhe se era um cancro?
    E a resposta foi sim.Fiquei muito calma, não entrei em pânico.

    A minha filha que estava presente tratou logo de ir no dia seguinte com o relatório à Fundação Champalimaud marcou consulta para 2 dias depois. Fiz exames nesse mesmo dia e fui operada a 20 de Agosto.br> Foi-me retirado o tumor maligno que era grande, e 40cm do intestino.

    “ Pensei agora é enfrentar o que vier pela frente e vencê-lo “. Não sei porquê, mas sempre estive muito calma e serena.
    Quando fui à consulta após a operação, e, o médico me deu os parabéns que estava tudo bem. “Não há metástases e não é necessário fazer quimio nem rádio”.
    FOI UM GRANDE ALÍVIO.
    Fui sempre muito apoiada pela família e amigos o que nestes momentos é muito importante.

  • GONÇALO DINIZGONÇALO DINIZ

    Quando descobri que tinha cancro, a primeira pergunta que me veio à cabeça foi: Porquê a mim? Sendo que a segunda pergunta apareceu logo de seguida: Porque não a mim? Se eu tenho cancro é porque sou forte e vou vencer!
    De seguida bateu um desespero enorme com imensas perguntas mas a que mais me incomodava era: e agora?
    Pouco dormia, acordava de 3 em 3 horas, felizmente tive o apoio da minha mulher, família e amigos.
    Passado um mês tive a maravilhosa noticia que ia ser pai, com esta notícia decidi desligar-me do cancro, tive a certeza que ia vencer, acreditei que sou mais forte que o cancro e que ia ficar curado!
    Quando comecei o tratamento de quimioterapia levei sempre a minha boa disposição e o meu positivismo, embora não fosse fácil estarmos ali num cadeirão 8 horas de seguida. Felizmente, existe internet e ajudava a passar o tempo, era uma forma de estar conectado com o mundo.
    Tive de me agarrar à vida e através da mente e da alma consegui curar-me. O corpo está doente, mas está a receber tratamento para a doença e nós temos de tratar da nossa mente.
    Durante o tratamento só queria ouvir coisas positivas, afastava-me das conversas mais negativas. Sentia pena no olhar das pessoas e não está correto, as pessoas têm de olhar para nós não como doentes mas sim como alguém que está em recuperação e que está a precisar de se salvar.
    Quando terminei os tratamentos, veio a confirmação através dos exames, estava curado! Foi a melhor sensação do mundo, saber que vencemos e que era um sobrevivente.
    A grande arma que temos é a prevenção, se eu descobrisse a tempo, provavelmente não teria de fazer quimioterapia. Não havia motivos de alarme, supostamente comia bem e fazia desporto, não deveria haver risco. Estava enganado. Hoje em dia alterei a minha alimentação e posso afirmar que tenho um corpo alcalino, devido à alteração da alimentação.
    Deixo a seguinte mensagem:
    Acreditem na cura e na Vossa força, assim, vão ficar curados! Muita força interior e é a cabeça que manda!

  • GONÇALO SILVAGONÇALO SILVA

    Pior notícia no momento mais feliz da minha vida.

    Depois de alguns dias com dores no estômago e após muitas chávenas de tisana, para as aliviar, fui fazer um “check up” em Fevereiro de 2014, fiz um batalhão de análises e continuei a desfrutar da gravidez do meu primeiro e único filho, cujo nascimento estava programado para meados de Março. As dores no estômago persistiam e as comichões na palma dos pés e das mãos eram cada vez mais fortes.

    No início de Março, estava com a minha mulher, Lúcia, à porta do Hospital Charité em Berlim para a última ecografia antes do parto, quando recebemos um telefonema da gastroenterologista, dizendo que os resultados haviam chegado e era preciso que eu fosse ao consultório o mais rapidamente possível. “Onde está?”, perguntou-me ela. “Estou no Charité, na consulta de obstetrícia da minha mulher”, respondo com ansiedade. A médica de imediato me diz: “Vá imediatamente às urgências que eu envio-lhes por fax o resultado das suas análises.”

    Os níveis do pâncreas e do fígado estavam 10 vezes mais elevados do que o normal. Fui imediatamente internado para exames e a primeira impressão dos médicos foi a de que poderia ser uma pedra na vesícula, mas o director clínico quis ter a certeza, fiz mais umas endoscopias e lá deram com um tumor na “cabeça” do pâncreas e com metástases na 6ª secção do fígado.

    Foi uma facada gigante no coração e o que prometia ser a melhor fase da minha vida transformou-se num pesadelo. E assim começou a minha odisseia contra o tempo.

    “Então vamos lá fazer planos para esta fase negra das nossas vidas”, pensei. Então, decidimos que seria bom antecipar o parto um pouco e atrasar a operação alguns dias para poder testemunhar o nascimento do Tiago e os seus primeiros dias de vida, que talvez fossem os meus últimos: uma percentagem elevada de pacientes não sobrevive à operação. Esta notícia e as outras foram todas recebidas com grande mágoa e muitas lágrimas.

    No dia 12 de Março assisti ao parto do Tiago ao lado da Lúcia e vivi o momento com muita intensidade e gozei o pós-parto a 100%. No dia 21 de Março dei entrada no Hospital Charité às 8:00h para ser operado às 11:00h. Estava em estado catatónico devido à angústia de não saber se iria acordar e ver de novo a Lúcia e o Tiago. Depois de algumas horas de operação acordei num quarto cheio de máquinas e tubos. “Pareces um polvo”, disse a Lúcia olhando para a quantidade de tubos que saiam do meu corpo. As dores eram mais que muitas porque a epidural não tinha sido bem administrada e os outros analgésicos também não faziam grande efeito. “A operação foi um sucesso. Erro zero!”, exclamou o cirurgião quando me veio ver pela primeira vez. Tudo o que estava “contaminado” fôra extraído completo e nenhuma ramificação ficara para trás. Da lista de “abate” constavam a “cabeça” do pâncreas, o duodeno, a 6ª secção do fígado, a vesícula biliar e 25 gânglios. Em compensação, ganhei uma cicatriz com a forma do símbolo da Mercedes Benz que me cobre o abdómen. Tive 2 semanas internado, com muitos contratempos, incluindo 1 semana de noites em branco e várias alucinações devido aos analgésicos e muitas, muitas dores, apesar deles. Recebi alta no dia 3 de Abril e “celebrei-a” com a notícia de que “Eu se fosse a si regressava já a Portugal, para estar com a sua família e os seus amigos...”, assim me aconselhou uma oncologista. Estávamos a 3 ou 4 meses de regressar a Lisboa porque a minha mulher terminava a sua comissão em Berlim. “Mas o que quer dizer com isso? Quanto tempo tenho de vida?”. Ela encolheu os ombros. “3 meses...6...?”, deixei a pergunta no ar. Ela olhava-me fixamente e não respondeu. O seu olhar dizia tudo. O mundo desmoronou-se à minha frente e a minha tristeza “bateu no fundo”.

    A partir desse momento só me restava ter esperança, acreditar no impossível e não desistir. Pensei todo o tempo no Tiago e na Lúcia para me darem força.

    No inicio de Maio comecei o tratamento de quimioterapia e fomos a Lisboa para uma reunião na Fundação Champalimaud. Era perfeitamente possível fazer metade do tratamento em Berlim e continuá-lo em Lisboa, na Champalimaud, asseguraram-me. De volta a Berlim, começaram os preparativos para o regresso a Lisboa com a Lúcia, o Tiago, o nosso gato Kasimir e dezenas de caixotes com todos os nossos bens pessoais e onde não cabiam as memórias lindas de 5 anos em Berlim. O tratamento era semanal e ao final de algumas sessões comecei a sentir as infames náuseas. Em Julho, já em Lisboa, comecei a segunda etapa do tratamento, na Fundação Champalimaud, mudaram-me o “cocktail” anti-enjoo, que foi bem sucedido e terminei o tratamento a meio de Setembro de 2014.

    Fazia exames de rotina de dois em dois meses e em meados de 2016 foram-me detectados micro-nódulos no pulmão direito, com 3mm e 4mm. Fiquei sob observação mais rigorosa e a 9 de Janeiro de 2017 fui operado na Champalimaud para me serem retirados 4 nódulos que estavam no pulmão direito. O nódulo maior tinha 9mm. A operação correu lindamente e ao fim de 3 dias estava em casa, embora com algumas limitações e muitas dores. Em Março comecei o meu 2º tratamento de quimioterapia. Este foi muito mais complicado que o primeiro, desde logo porque na primeira sessão a solução química queimou-me uma veia e tiveram de me colocar um acesso/cateter perto da clavícula, o que me afectou bastante psicologicamente. “Pareço um doente terminal”, pensava quando me via ao espelho. O tratamento terminou em final de Agosto de 2017 e desde então vou regularmente fazer os exames de rotina, cada 3 meses.

    Todo este tempo levei uma vida “normal” – uma normalidade que construímos à nossa medida – como se não tivesse nenhuma doença, mas tomando todas as precauções que me aconselhavam. Religiosamente. Fui sempre bem acompanhado por nutricionistas e o meu homeopata, Dr. João Pais de Faria, para ter uma alimentação o mais cuidada possível (pouca gordura, muitos vegetais, nada de álcool, nada de fritos, muito pouco açúcar, etc..).

    Tenho ainda uns micro-nódulos, que estão estacionários, à excepção de um deles que insiste em aumentar, embora muito lentamente, no pulmão direito. Em Maio de 2018 o meu oncologista, Dr. Carlos Carvalho, sugeriu-me que fizesse uma sessão única de radioterapia para eliminar o nódulo. A sessão foi conduzida pelo Dr. Oriol, a 6 de Junho, e foi um êxito. Não houve efeitos colaterais e fiz ainda algum bodyboard, em Julho, até chegar o momento de mais uma mudança de país, desta feita para a Holanda.

    Continuo a ser seguido na Fundação Champalimaud, onde vou fazer exames de 3 em 3 meses. Nos dias que antecedem os exames sinto-me sempre ansioso, claro. Mas sou um optimista por natureza.

    Acredito que tenho tido muita sorte, que tenho sido muito bem acompanhado, mas acredito também que a forma como reagimos a estas más notícias é essencial para nos defrontarmos com a doença: eu assumi a doença que tenho sem ter medo de falar dela seja com quem for. Não penso nela o tempo todo, convivo com ela mas dedico-me ao que mais gosto, para poder ser feliz, fazer a minha família feliz e desfrutar o tempo que me resta com as pessoas que mais amo.

  • GRACINDA OLIVEIRAGRACINDA OLIVEIRA

    No ano de 1996 comecei a ter uma dor pouco intensa mas incomodativa no lado da mama esquerda. Pensando tratar-se de algum problema cardíaco, fui à médica de família que me passou um eletrocardiograma, o qual indicou que estava tudo bem. Continuei com as mesmas queixas, o que fez com que a médica pedisse para repetir o exame e que devia realizá-lo noutra clínica. Assim fiz e o resultado foi o mesmo. Mandou-me de seguida fazer uma mamografia e ecografia mamária onde se detetou algo suspeito mas pouco visível. Repeti exames passados 6 meses e não tinha aumentado de tamanho mas sim de quantidade, tinha vários pequenos tumores. O resultado foi enviado para o Hospital Garcia de Orta, de onde me chamaram para uma consulta e me informaram que tinha que ser operada. Fui chamada para operação em Fevereiro de 1998, retirados os tumores, foram mandados para análise e quando fui à consulta para tirar os pontos, fui informada que tinha que fazer uma mastectomia radical do lado esquerdo porque tinha um carcinoma invasivo. Fiz 6 tratamentos de quimioterapia injetável e 30 de radioterapia e correu tudo bem.

    Em 2004 tive os mesmos sintomas na mama direita e como já andava a ser seguida desde então, fazia os exames anuais e os resultados eram sempre os mesmos – calcificações. Em 2014, os exames acusaram algo duvidoso junto ao mamilo e fui mandada novamente para o Hospital Garcia de Horta, onde fiz uma ressonância que revelou um carcinoma. Foi-me marcada nova cirurgia em Agosto de 2014 para mais uma mastectomia radical, desta vez na mama direita.

    Em final de 2015 resolvi fazer a reconstrução mamária bilateral com colocação de próteses mamárias. Tirando o facto de ser um processo um pouco moroso porque tive que fazer várias intervenções até a reconstrução estar terminada, sinto-me uma mulher completa na mesma como se nada tivesse acontecido e vivo muito bem com a situação.

    Ter amor próprio, esperança e auto confiança é meio caminho andado para a recuperação.

    Ter o apoio da família, amigos, da comunidade médica e dos profissionais de saúde e encarar a doença com positivismo é essencial para nos ajudar a passar por todo este processo. Sempre fui muito bem tratada pelos clínicos oncológicos e nunca me senti desamparada.

    Existem também Instituições e Grupos de ajuda que nos dão um apoio mais personalizado que falta nos hospitais, e que são como uma 2ª família que está sempre ali para o que precisarmos e que nos recebem com um sorriso nos lábios.

    Aconselho a todas as mulheres a realizaram o auto exame mamário como forma de prevenção primária e sempre que notem alguma alteração, consultar um médico. A prevenção é sempre muito importante, pois quanto mais cedo for detetado mais probabilidade existe de ser combatido com sucesso.

  • JOANA COSTAJOANA COSTA

    A minha estória - “Cancro da mama”

    A 23 de Abril de 2017, com 34 anos, fui tomar o meu banho diário, no qual procedi á habitual palpação mamária. Apesar de não ter antecedentes de cancro de mama na família, algo me levou a ter essa especial atenção durante o banho. Nesse dia, senti algo diferente no peito, um caroço, duro. Estranhei. Tentei não dar demasiada importância, mas não esquecendo que nestes casos, temos que imediatamente fazer exames para despiste de algo grave. Fiz ecografia mamária, que deu resultado inconclusivo. Fiz mamografia, com resultado novamente inconclusivo, a solicitar biopsia para confirmação. Fui encaminhada para o hospital onde, após consultas e pedidos de novos exames, se confirmou tratar de um tumor. Era um cancro de tipo triplo negativo, nível III, com rápida taxa de crescimento. Foi-me explicado o tratamento protocolar: fazer cirurgia ao gânglio-sentinela, iniciar quimioterapia para reduzir o tumor e posteriormente, tumorectomia com preservação da mama. Eu e o marido estivemos durante 3 dias a chorar, a lamentar. Perguntávamos o porquê da doença. Porquê eu? Eu não bebo álcool, café, refrigerantes, tinha uma vida bastante ativa e alimentava-me bem. Sentia-me saudável!

    Iniciei a quimioterapia a 4 de Agosto. Não sabia bem o que me esperava, até porque nunca tinha tido qualquer contacto com doentes oncológicos. Seguiram-se 16 ciclos de quimioterapia. 4 ciclos de 2 em 2 semanas seguidos de 12 ciclos semanais. Durante os 5 meses de tratamento notei que o caroço não diminuía. Fiz os tratamentos até ao fim, tendo descoberto a meio do tempo que o peito tinha outros focos de cancro espalhados e que teria mesmo que ser submetida à mastectomia do peito direito.

    A minha última quimio foi a 28 de Dezembro. Fiz uma festa no final do ano: “que 2018 traga mais saúde e boas notícias” - era esse o meu desejo. No início de Janeiro, em seguimento de uma constipação, comecei a sentir umas “facadas” nas costas. Assumi que tivesse apanhado uma pneumonia ou tivesse feito uma contractura muscular. Fui operada a 30 de Janeiro, fiquei sem o peito, mas não me senti de todo triste. Achei que finamente, a luta tinha chegado ao fim. Como me enganei... As costas começaram de novo a doer, daquelas dores incapacitantes, que me impossibilitavam de mexer um braço, uma perna ou qualquer outra parte do corpo. Fui internada e após exames confirmaram-se metástases ósseas em 7 vértebras e na bacia. Levei com um balde de água fria... ia ter de passar por tudo de novo... fiz 15 sessões de radioterapia e iniciei mais 16 sessões de quimioterapia. A única vantagem: o cabelo não ia cair. Mas em contrapartida, tem sido doloroso, há tratamentos que foram adiados por estar demasiado fraca. Há injeções que tenho que levar que me deixam em pura agonia, mas eu aguento. Tenho sido forte, tenho suportado tudo o que o destino me deu. Tenho tido uma família, um marido e um filho excecionais, amigos e vizinhos que se preocupam verdadeiramente comigo e que ajudam com comida e outros alimentos, tenho uma equipe de médicos que me ajuda em tudo o que precisar e as enfermeiras e auxiliares são uns autênticos anjos. Só me falta um tratamento. Depois disso, não sei como será o meu futuro. Não sei se fico por aqui. Não sei se consegui finamente adormecer as metástases. Sei que estou fisicamente debilitada, incapacitada. Não consigo pegar em pesos, não consigo dar colo ao meu filho, brincar com ele, correr com ele. Qualquer queda que dê pode resultar numa lesão muito grave na coluna, posso ficar paraplégica... o medo é constante, quer seja quando aparece uma dor fora do habitual, quer seja porque faço um esforço maior, ou porque escorrego em qualquer lado. Mudei como pessoa, sim. Conheci muita gente boa e outras assim-assim. Vivo para conviver com os meus amigos. Porque é isso que me anima. Não quero falar na doença, não quero que me perguntem como estou. Quero, pura e simplesmente, que me incluam no seu dia-a-dia, me contem os seus problemas, me façam abstrair da doença, rir despreocupadamente...

  • JOÃO SANTANA LOPESJOÃO SANTANA LOPES

    Tudo começou em Setembro de 2017, após 2 anos sem ir ao médico nem realizar exames de rotina, desloquei-me ao hospital para uma consulta. Levei um grande raspanete, pois com a minha idade as idas ao médico já têm de ser mais regulares. Havia a possibilidade de ter cancro na tiroide, passaram-me para um Endocrinologista e posteriormente para um Oncologista, já com a certeza que tinha cancro na tiroide, fui operado em 4 meses. Avisei apenas os familiares e amigos mais próximos que tinha cancro, embora muito em cima da hora. Felizmente hoje estou curado, agradeço muito o apoio das pessoas mais próximas em especial da minha mulher. Acredito que também foi bastante importante a vontade própria e o pensamento positivo, temos que ter a força de que tudo é ultrapassável por mais dolorosa que seja a notícia. Deixo um conselho bastante importante, façam exames de forma regular, pois a prevenção e o diagnóstico precoce é o melhor tratamento que temos!

    João Santana Lopes

  • JORGE GABRIELJORGE GABRIEL

    "Afirmar-me doente oncológico é um eufemismo. A tempo, e por intuição e sagaz noção do seu ofício, o Dr. Osvaldo Correia insistiu em observar atentamente um sinal que estranhamente havia mudado de configuração e de cor. Em pouco mais de um mês foi detetado o melanoma de dimensão mínima, retirado e nos últimos anos tenho sido acompanhado atentamente, sem novidades desagradáveis.
    Prefiro ocupar este espaço que me dignam com o que tenho aprendido com os doentes, os que maioritariamente têm vencido a guerra ao cancro, a esperança contínua mesmo nos momentos de maior fraqueza com a agonia da dor, o rosto que não reconhecem no espelho e o desespero por provocarem tamanha tristeza entre os familiares e os amigos.
    As linhas nunca serão suficientes para agradecer o denodo da classe médica, as horas dedicadas à investigação, o cumprimento escrupuloso e preocupado para com todos os pacientes das regras cientificas e éticas na salvaguarda da dignidade humana. Não é quantificável este empenho pelo próximo quando repentinamente vemos a linha de meta da vida sem que sigamos o natural desenrolar da nossa existência.
    E o que seria se me esquecesse das famílias, dos amigos, dos pais que vêem os seus filhos perecerem, dos voluntários que complementam em tantos instantes o desespero do silêncio, ou o murro no estômago da sentença fatal?
    Apesar de continuarmos apavorados com a possibilidade de nos diagnosticarem esta terrível doença, os números não enganam, são mais os doentes que se salvam dos que cedo partiram, e muito cedo nos iluminam as noites da saudade."

  • RUY DE CARVALHORUY DE CARVALHO

    Sempre fui mais um homem de palco do que de escrita. Prefiro falar, representar, até porque a escrita é para mim uma arte de grande beleza que me obriga a respeitar com todas as minhas forças. Aprendi, lendo, que a vida dá sempre aquilo que precisamos de aprender, para podermos ultrapassar os desafios que Deus considerou serem os melhores para conseguirmos a coragem contra os maus momentos, as faltas de energia... e as doenças. Todos os dias vivemos situações que nos pedem força, e nem sempre a temos. Todos nós vivemos relações tóxicas com pessoas que conhecemos ou mesmo com familiares, e sem dar por isso, acabamos vergados pelos desgostos, pelos medos e por tudo o que nos torna pequeninos e incapazes de continuar. Foi num desses momentos que pela primeira vez pensei na morte. Todos morremos um dia, é verdade, mas só nesse dia. Devia ser proibido morrer aos poucos. No entanto é por esse estranho caminho que a maioria caminha, como se a vida não lhes tivesse nada para dar, e nada neles precisasse de crescer ou de florescer. Foi nesses dias que decidi não morrer. Que olhei para todas as coisas e percebi que a vida é um fluir permanente... como um rio, como o sol e a lua, e que, se eu fazia parte dessa deriva, então deveria ser aquilo que queria ser, e não o que o meu mal queria que eu fosse. É que a minha vida é um espelho daquilo que tem vibrado no meu coração, pelo que, se há nele uma réstea de amor, é porque foi ali semeado por mim, e isso dava-me o direito de querer ficar bem. Resolvi não desistir! Decidi lutar em nome de tudo o que plantei na vida, e foi esse tudo que me deu forças para matar os meus cancros e para não morrer com eles. A vida nem sempre nos dá muito, eu sei, mas dá sempre o suficiente para lutarmos por ela, mesmo quase sem forças, mesmo até sem esperança, porque ninguém, nem o céu sequer, nos pede para abdicarmos daquilo que foi depositado no nosso coração quando nascemos; o amor pela existência! Somos hoje aquilo que fomos, é verdade, mas amanhã seremos aquilo que formos, e esse caminho, se ainda estiver por trilhar, há que fazê-lo então com a força que nos dá o existirmos aqui e agora, por alguém, sobretudo por nós... por aquilo que somos, ou mais que não seja, por aquilo que temos ainda por fazer.

  • VITOR ESPADINHAVITOR ESPADINHA

    É-me difícil falar disto, porque foram tempos difíceis.
    Lembro-me que comecei a ter muitas dores, ia à casa de banho e nada acontecia. Andei umas duas semanas neste estado bastante difícil de suportar. "Comi alguma coisa que me fez mal"! Acho que é isto que todos os que passaram por isto, pensam.
    Uma noite, a minha mulher levou-me a um hospital (não interessa o nome do hospital, porque a experiência foi muito má.).
    Fizeram-me vários exames e, a resposta foi a mesma que eu tinha pensado: "O senhor comeu qualquer coisa que lhe fez mal!"
    Na mesma noite, eu pensei que ia morrer com dores! A minha mulher telefonou para a CUF da Infanto Santo, explicou pelo telefone, o meu problema e, disseram-lhe:
    O Victor que venha cá imediatamente porque temos hoje de serviço, o gastrenterologista, Dr. Alves Martins. Nem dez minutos levou a observar-me: o "senhor tem que ser operado o mais rapidamente possível!". Fui direcionado para o Dr. Rui Esteves do hospital Santa Maria. Com o prognóstico de Cancro no Colon.
    Cheguei ao Santa Maria, e entrei na sala de operações. Tinha um cancro!
    Devo hoje a vida a estes dois médicos. No outro hospital eu "tinha comido qualquer coisa que me fez mal"!
    O tempo que estive "a dormir" pareceu-me uma eternidade. Quando acordei não me aguentava em pé e devia pesar uns 40 quilos. Mas tive uma grande alegria quando o médico Rui Esteves me entra no quarto e me diz: Victor, você é um homem de grande força. E eu vou dar-lhe uma grande alegria: "Você está curado! Todos os gânglios estão negativos! E consegui juntar as duas pontas do cólon (esta operação tem um nome técnico que nunca me recordo.) Você, no meio desta tragédia, está cheio de sorte."
    Fiz uma quimioterapia leve, de prevenção, durante seis meses, com a supervisão da Dra. Conceição Lourenço, a quem muito também fiquei a dever.
    Depois fui a consultas, primeiro de 3 em 3 meses, depois de 6 em 6, depois uma por ano. No segundo ano, deixei de ir, porque estes médicos precisam de tempo para tratar quem passou o que eu passei (e muito pior do que eu passei).
    Jamais esquecerei estes médicos a quem fiquei a dever a minha vida.
    E tenho muito orgulho em ter um filho médico.


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